Países do Brics se destacam na corrida pelas vacinas contra covid

Oportunidade & Ajuda 2021-03-02 No Comments

Países do Brics se destacam na corrida pelas vacinas contra covid

A pandemia do novo coronavírus e a corrida internacional por vacinas contra a covid-19 ajudaram a consolidar a importância de pelo menos três dos cinco países-membro do Brics — a aliança política criada em 2009 e formada hoje por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, considerados os principais países emergentes do mundo.

Até o momento, as nações do bloco contribuíram com o desenvolvimento de dez das 20 principais vacinas contra a covid-19 no mundo (seis desenvolvidas na China, duas na Índia e duas na Rússia). A Índia é sede do Instituto Serum, a maior fabricante de vacinas do mundo, e a China tem uma das indústrias de biotecnologia mais avançadas do planeta.

O Brasil, no entanto, corre o risco de perder espaço para os outros países. Isso porque não aderiu, anos atrás, às políticas do bloco que poderiam ter ajudado a instalar plantas para a fabricação de insumos farmacêuticos no país. Ainda assim, conta com duas instituições mundialmente reconhecidas, o Instituto Butantan, em São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.

“Esse foi um erro estratégico lá atrás, o país poderia produzir insumos há bastante tempo e não usou esse mecanismo. Isso tornou o mundo muito dependente da China e da Índia nesse setor. E agora a gente pode ver a importância de se ter essa estrutura no bloco”, afirma Márcio Coimbra, professor de Relações Institucionais e Governamentais do Mackenzie-DF.

A importância do Brics

Segundo Coimbra, a oferta de vacinas pelos países do Brics pode ajudar a equilibrar o mercado mundial, já que os EUA, a União Europeia, o Japão e outros países considerados desenvolvidos, que correspondem a 13% da população mundial, compraram 50% das doses de imunizantes disponíveis no mundo, de empresas que ficam nesses mercados.

A união dos países dentro do bloco pode ser ainda mais complicada do que simplesmente equacionar o fornecimento das vacinas, segundo Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional e coordenador do Núcleo Brasil-China da FGV-RJ. Na visão dele, divergências regionais e políticas dificultam que todos fechem uma pauta em comum.

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